Justiça do MT interdita unidade do frigorífico Quatro Marcos
12-12-2007

Atividades da unidade de Vila Rica (MT) foram suspensas após vazamento de gás ter intoxicado pelo menos 14 pessoas. Frigorífico já sofre processo por más condições de trabalho

Iberê Thenório

O juiz do Trabalho da Vara de São Félix do Araguaia (MT), João Humberto Cesário, concedeu uma liminar na manhã desta quarta-feira (14) interditando a unidade de Vila Rica (MT) do frigorífico Quatro Marcos, um dos maiores do país. A decisão foi tomada por causa de um vazamento de gás, ocorrido no dia 6 de dezembro, que deixou pelo menos 14 pessoas intoxicadas.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) do Mato Grosso, que ajuizou ação contra o frigorífico junto com o Ministério Público Estadual, esse já é o quarto acidente com vazamento de gás ocorrido em 2007. Os trabalhadores que inalaram o produto apresentaram sintomas como vômito, desmaios, dormência em várias partes do corpo, dificuldade de respiração e fraqueza, mas passam bem.

As atividades do frigorífico de Vila Rica, que emprega mais de 1000 pessoas, permanecerão suspensas por tempo indeterminado. “Eles vão ter que demonstrar à Justiça do Trabalho que está tudo regularizado. Foi garantida a manutenção do vínculo empregatício e do salário dos trabalhadores”, explica o promotor de Justiça da Comarca de Vila Rica, Pedro da Silva Figueiredo Júnior.

Em sua decisão, o juiz classifica como “estarrecedora” a notícia de que os mesmos acidentes vêm se repetindo. “(…) nenhuma pessoa de bom senso poderá defender que bens sublimes como a saúde, a integridade física e a vida dos trabalhadores continuem a ser sistematicamente desprezados pelo requerido, como se os seus empregados se equiparassem aos bovinos diariamente sacrificados no frigorífico em que trabalham”, afirma trecho da liminar.

O frigorífico está sujeito a uma multa diária de R$ 200 mil caso não cumpra a ordem de interromper as atividades. Em 26 de novembro, uma outra ação já havia sido movida pelo MPT do Mato Grosso contra o Quatro Marcos. O motivo também eram as más condições de trabalho, que colocavam em risco a saúde e a segurança dos empregados.

Repórter Brasil entrou em contato com a empresa mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.