Publicidade de óleo de palma é taxada por ingleses
09-01-2008

Órgão inglês semelhante ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) do Brasil condena como propaganda enganosa filme que apresenta óleo de palma da Malásia como produto sustentável

Repórter Brasil

A Advertising Standards Authority (ASA) do Reino Unido – órgão semelhante ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) que atua no Brasil – considerou um filme publicitário do Conselho Malaio de Óleo de Palma – Malaysian Palm Oil Council (MPOC), em Inglês – veiculado na Europa como propaganda enganosa.

Intitulado “Presente da Natureza, Presente da Vida (Gift from Nature, Gift for Life)”, o filme afirma que o óleo de palma da Malásia é “produzido sustentavelmente desde 1917”. A ASA atendeu à solicitação encaminhada pelas organizações Amigos da Terra Internacional e Amigos da Terra Europa, que sustentam que “a maior parte do óleo de palma da Malásia é produzida de uma forma nada sustentável, do ponto-de-vista socioambiental”. Segundo as organizações, a publicidade veiculada pelo Conselho também descumpre os artigos dos códigos-padrão em vigor, elaborados pelo Broadcast Committee of Advertising Practice (BCAP) inglês, porque dá a entender que a produção de óleo de palma beneficia o meio ambiente.

A publicidade transmitida pelo canal BBC World durante o verão europeu de 2007 apresentou imagens de uma plantação de palmáceas junto com imagens da mata virgem de uma floresta tropical. A narração afirmava que a produção de óleo a partir das árvores de palma “ajudam nosso planeta a respirar”.

ASA decidiu condenar a publicidade do conselho malaio com base na constatação de que cientistas e pesquisadores têm dúvidas quanto à sustentabilidade desse tipo de produção. “Não há um consenso de que o óleo de palma da Malásia traga benefícios para o meio ambiente”, observou a ASA na avaliação que carimba a propaganda como enganosa.

“A União Européia deve prestar atenção e repensar seus planos de importar enormes quantidades de óleo de palma para utilizar como combustível em meios de transporte”, coloca o responsável por campanhas sobre empresas na Amigos da Terra Internacional, Paul de Clerck. Chefes de Estado da Europa firmaram um acordo em março que define como meta para 2020 a cota mínima de 10% de combustíveis de origem vegetal (como o óleo de palma) no setor de transporte.

Malásia e Indonésia planejam dobrar a área de plantação de palmáceas. A meta dos paísers é alcançar cerca de 20 milhões de hectares de área plantada, uma área equivalente a cinco Holandas. Estudo divulgado em julho de 2007 pela Amigos da Terra Holanda relata problemas sociais e ambientais envolvendo plantações de palmáceas na Indonésia pela empresa Wilmar, a maior comercializadora de óleo de pala do mundo. O documento destaca a ocorrência de desmatamentos e queimadas ilegais e violação dos direitos de comunidades locais.