CEBDS organiza debate sobre “lucro x sustentabilidade”
28-02-2008

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) dará início a um ciclo de discussões que reunirá representantes da iniciativa privada, do stor público e de organizações da sociedade civil

Por Repórter Brasil

É possível conceber uma empresa bem sucedida numa sociedade falida? A resposta do presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Fernando Almeida, para essa pergunta é simples e direta: “não”.

“A história recente, principalmente a partir do pós-guerra, tem nos mostrado que o modelo concentrador de renda tem acelerado a perda dos serviços ambientais e o esgarçamento do tecido social. Os riscos socioambientais confirmam esta constatação. É inadmissível e insustentável a desproporcional repartição de riqueza, seja ela no âmbito global, seja no âmbito regional. A sustentabilidade, como conceito integrador, não pode admitir altos lucros e salários astronômicos descolados do restante da sociedade”, adiciona Almeida.

Preocupado com a “aparente dicotomia” entre lucro e sustentabilidade, o CEBDS dará início a um ciclo de encontros sobre gestão empresarial responsável. O primeiro debate, marcado para o dia 26 de março, no Rio de Janeiro, reunirá José Armando Campos, diretor-presidente da Arcelor Mittal; Milton Seligman, diretor-geral de Relações Corporativas da Ambev; João Carlos Ferraz, diretor do BNDES; Jodie Thorpe, gerente da área de economias emergentes do SustainAbility; Aerton Paiva, da Apel Consultoria Empresarial; e Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace.

O conceito de lucro, apregoa Fernando Almeida, deve continuar existindo, mas dentro de um novo paradigma. “A correta implantação dos conceitos de sustentabilidade tem efeito multiplicador na valorização dos ativos intangíveis das empresas. E hoje sabemos que marca, reputação, capacidade de relacionamento com stakeholders respondem por pelo menos 75% dos ativos de uma empresa”.

Para comprovar o que diz, o presidente do CEBDS lança mão do desempenho das empresas que estão no grupo seleto do Índice Dow Jones de Sustentabilidade, de Nova York (EUA). “Os balanços indicam que a rentabilidade dessas empresas é pelo menos 20% superior em relação as que permanecem mais presas ao modelo tradicional. Essa performance está se repetindo também no Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa”, complementa.

“Pontualmente, empresas têm demonstrado que é possível fazer negócios com as camadas marginalizadas, com benefícios para todos. Contudo, os dramáticos desafios sociais e ambientais que temos pela frente exigem mais do que exemplos pontuais”, reflete o empresário, tocando no que deve ser um dos pontos centrais das discussões. De antemão, ele sugere que as empresas saiam da “área de conforto” das elites mundiais e passem a fazer negócios com a base da pirâmide social. “Nas regiões mais pobres, os investimentos chegam apenas aos ‘bolsões’ de riqueza, muitas vezes de forma ambientalmente irresponsável e, sempre, de forma socialmente excludente. Essa prática histórica explica o cenário de desigualdade. Entre 1950 e 2005, o valor do Produto Mundial Bruto subiu nove vezes, passando de US$ 7 trilhões para US$ 60 trilhões. E há ainda hoje 1,1 bilhão de habitantes vivendo com menos de US$ 1 por dia”.

Serviço:
Ciclo de Encontros sobre Sustentabilidade e Gestão Responsável – 2008
1º Encontro – Tema: Lucro x Sustentabilidade
Dia 26 de março – 8h30 às 12h30
Centro de Convenções RB1 – Salão Mauá
Av. Rio Branco 1, Centro, Rio de Janeiro-RJ
Informações e inscrições
www.cebds.org.br
(21) 2483 2260