Ativista da Geórgia relata experiência contra tráfico humano
26-03-2008

Articulação entre sociedade civil e governo permitiu a criação de um banco de dados com informações de empresas e pessoas envolvidas principalmente no tráfico internacional das mulheres da Geórgia para exploração sexual

Por Maurício Hashizume

Localizada entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, na distante região do Cáucaso, a República da Geórgia tem uma população de 3,5 milhões de habitantes e uma experiência interessante no combate ao aliciamento de pessoas, um dos pilares da escravidão contemporânea.

Aproximadamente 800 mil dos cidadãos que tem nacionalidade da Geórgia (que faz fronteira com o Azerbaijão, a Armênia e a Turquia, ao Sul, e com a Rússia, ao Norte) vivem em outros países. A exploração sexual de mulheres que são levadas para o estrangeiro se coloca como um problema grave da nação georgiana. Esse quadro dá uma idéia da importância do trabalho que entidades da sociedade civil, juntamente com o governo da Geórgia, vem desenvolvendo no combate ao tráfico de seres humanos.

A união desses dois setores deu origem a um grupo de trabalho antitráfico, no ano de 2004, que elaborou um plano de ação de combate ao crime que se desenvolveu durante os anos de 2005 e 2006. Um dos itens desse plano dizia respeito à coleta de informações sobre as redes envolvidas no tráfico.

“Foi criado um banco de dados sob responsabilidade do Ministério do Relações Interiores. Há informações sobre empresas e pessoas que têm algum tipo de relação com casos de tráfico de seres humanos, mas essas indoemações são confidenciais”, conta Tsovinar Nazarova, mais conhecida como “Nana”, da entidade People’s Harmonious Development Society (PHDS), com sede na cidade de Tbilisi.

O instrumento criado na Geórgia guarda algumas semelhanças com a iniciativa de elaboração da “lista suja” do trabalho escravo no Brasil. No entanto, a disponibilização dos nomes de empregadores e empresas ao público em geral tem sido um dos pontos-chave no caso do combate à escravidão no Brasil. A criação de um banco de dados também faz parte do Plano Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Pessoas (PNETP), lançado pelo governo federal.

O tráfico de pessoas, conta Nana, é um problema real para os nossos cidadãos. “Nós organizamos uma campanha informativa de prevenção e agora estamos divulgando o conteúdo nos países da região Sul do cáucaso”, adiciona a ativista, que respondeu perguntas enviadas pela Repórter Brasil por e-mail.