Estudo calcula que US$ 3,4 bi freariam desmatamento
12-03-2008

Estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) estima que um investimento total de US$ 3,4 bilhões seria suficiente para evitar a emissão de 5 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera

Por Repórter Brasil

Quanto seria preciso investir que o desmatamento da Floresta Amazônica fosse reduzido drasticamente? Pelo menos US$ 3,4 bilhões, segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e elaborado em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o The Woods Hole Research Center (WHRC).

Essa soma de recursos seria suficiente para as ações de combate ao desmatamento ilegal, o pagamento aos povos da floresta pelos serviços que prestam ao conservar suas matas, e as compensações por desmate evitado por fazendeiros. De acordo com o estudo, o conjunto dessas ações poderia fazer com que 5 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2) deixassem de ser liberadas na atmosfera por conta de queimadas e desflorestamentos.

“O estudo mostra que o custo é plausível e muito mais baixo do que se imaginava”, avalia Paulo Moutinho, coordenador de pesquisa do Ipam e um dos autores do trabalho. Diversos cruzamentos de dados mostram a correlação entre desmatamento e exploração de mão de obra-escrava.

É sugerido no relatório que os países desenvolvidos aportem fundos em mecanismos de compensação internacionais (via Convenção das Nações Unidas, por exemplo) para financiar a redução de desmatamento em países em desenvolvimento.

Uma das propostas do estudo é que sejam criados três fundos para repassar os recursos dessa compensação. O primeiro investiria seus recursos na conservação das áreas onde vivem as populações tradicionais, pagando, na Amazônia brasileira, o equivalente a meio salário mínimo por mês (cerca de US$ 1,2 mil por ano) por família. Seria um incentivo para os povos da floresta participarem ainda mais ativamente da defesa de seus territórios contra as ameaças de desmatamento ilegal.

Outro fundo compensaria financeiramente fazendeiros que não desmatassem nem os 20% das áreas de suas propriedades que podem ser explorados legalmente no bioma amazônico, conforme prevê o Código Florestal.

Um terceiro fundo complementaria os orçamentos dos governos dirigidos a programas de monitoramento e gestão de unidades de conservação e serviços públicos de educação e saúde.

“Se o setor produtivo não contar com alternativas para valorizar as florestas em terras privadas, o desmatamento continuará contribuindo para a diminuição das chuvas na região amazônica. Isso afetará não apenas a própria produção agrícola, como também a mata e a vida das populações indígenas e tradicionais”, afirma Moutinho.

Para o diretor de Articulação de Ações na Amazônia do Ministério do Meio Ambiente (MMA), André Lima, o estudo marca uma nova fase das discussões sobre o controle das emissões por desmatamento na Amazônia. Segundo ele, o relatório “traz uma base concreta para o debate sobre mecanismos de incentivo econômico para a governança ambiental na floresta”.

“Não podemos gerar despesas, mas podemos olhar para o orçamento do próximo ano e sensibilizar o governo federal para que sejam criados os mecanismos para captar recursos para a compensação ambiental na Amazônia”, comentou o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado José Sarney Filho (PV-MA). Na opinião de Sarney, a proposta do Ipam “vai no caminho certo”, pois ela atribui valor econômico à floresta mantida de pé.

Clique aqui para ver a íntegra do estudo.