Desmatamento no PA e no MT acelera no 1º trimestre de 2008
30-04-2008

Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que a área devastada entre janeiro e março nos estados do Pará e do Mato Grosso somou mais do que o dobro do que se aferiu no mesmo período em 2007.

Por Repórter Brasil

Os índices de desmatamento da Floresta Amazônica nos Estados do Pará e do Mato Grosso referentes ao três primeiros meses de 2008 atingiram mais do que o dobro das devastações registradas no mesmo período do ano passado. As conclusões fazem parte dos boletins de transparência florestal consolidados pela organização não-governamental (ONG) Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) utilizado pelo Imazon revelou que o desflorestamento no Pará atingiu 65 km² de janeiro a março de 2008. De janeiro a março de 2007, a área desmatada totalizou 28 km². A maioria absoluta (93%) da devastação aferida ocorreu em áreas privadas ou de posse.

O desmatamento nos projetos de assentamento de reforma agrária representou 7%. Não foram detectados desmatamentos em Áreas de Proteção Ambiental (APAs) – Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs) – nos três primeiros meses deste ano.

O processo de aceleração fica evidente também quando se compara a somatória do nível de desmatamento da Amazônia no território paraense registrado de agosto de 2007 a março de 2008 (1.362 km²) com o período anterior de agosto de 2006 a março de 2007 (775 km²).

De janeiro a março de 2008, os municípios parenses que mais desmataram foram Ulianopólis (28% do total), seguido de Paragominas (20%) e Dom Eliseu (10%), todos localizados na Rodovia Belém-Brasília, incluídos na lista dos municípios críticos do Ministério do Meio Ambiente e palcos de libertações recentes de trabalhadores submetidos ao trabalho escravo.

Os pesquisadores do Imazon ainda fazem uma ressalva importante. Por se tratar de uma época chuvosa, a proporção de nuvens sobre o território do Pará atingiu altos níveis: 68% (janeiro), 69% (fevereiro) e 72% (março). “Isso significa que os valores obtidos para o desmatamento nesses três meses estão subestimados”, sustenta o texto de apresentação do boletim.

No Mato Grosso, as áreas em que houve desmatamento somaram 149 km² de janeiro a março deste ano. O desmatamento acumulado no período de agosto de 2007 a março de 2008 totalizou 1.853 km². De agosto de 2006 a março de 2007, a derrubada de florestas se alastrou por 2.203 km², ou seja, houve uma redução relativa de 16% neste período tradicionalmente chuvoso. A cobertura de nuvens, que impede a detecção do desmatamento pelo SAD, foi significativa: 81% em janeiro, 70% em fevereiro e 21% em março.

Mais da metade (54%) do desmatamento entre janeiro e março de 2008 no Mato Grosso ocorreu no município de São Felix do Araguaia. Na seqüência, aparecem Querência (10%) e Gaúcha do Norte (7%). O desmatamento ilegal representou cerca de 94% do total ocorrido no primeiro trimestre de 2008.