Grupo de 19 frigoríficos adere; apenas Agra não assina
03-04-2008

Quase todas as empresas filiadas ao Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Mato Grosso (Sindifrigo) aceitaram assinar o Pacto Nacional contra a escravidão. Agra preferiu não aderir agora e diz que está analisando o assunto

Por Maurício Hashizume

Por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) formulado com critérios inéditos firmado junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério Público do Estado do Mato Grosso, 19 frigoríficos filiados ao Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Mato Grosso (Sindifrigo) assumiram oficialmente compromisso escrito de aderir ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo em dez dias a contar a partir do dia 28 de março.

As empresas que fazem parte dessa iniciativa se comprometem, por conseqüência, a restringir vínculos comerciais com pessoas jurídicas e físicas de suas respectivas cadeias produtivas que possam estar envolvidas na exploração de trabalho degradante ou mão-de-obra escrava.

De uma só vez, Arantes, Marfrig, Margen, Mataboi, Perdigão, Vale do Guaporé, Quatro Marcos, Juína, Boi Branco, Rodopa, Pantanal, Vale Grande, Nova Carne, Frimat, Mercosul e Frical aceitaram assinar o Pacto. Na mesma leva, Bertin, JBS Friboi e Sadia, que já eram signatárias, renovaram o mesmo compromisso (confira a lista completa de companhias e associações que já assinaram). Caso descumpram o TAC firmado na última sexta-feira (28), as empresas terão de pagar multa diária e responderão judicialmente na Justiça do Trabalho.

De todas as associadas da Sindifrigo, apenas a Agra Agroindustrial e Alimentos optou por não firmar o compromisso de assinar o Pacto Nacional. Por conta disso, o MPT anunciou que abrirá procedimento investigatório acerca do frigorífico.

De acordo com uma fonte da Agra, a empresa optou por não assinar imediatamente o TAC que prevê a Pacto Nacional porque não teve tempo hábil para que os acionistas pudessem tomar uma decisão sobre o assunto.

Essa mesma fonte garantiu, no entanto, que a companhia reconhece a importância do tema e que a questão está sendo avaliada pela direção. Especializada no abate de suínos, a Agra tem sede em Rondonópolis (MT), a 220 km da capital Cuiabá.

Segundo levantamento da Repórter Brasil do início de 2007, 62% dos casos de trabalho escravo até então haviam sido flagrados na atividade pecuária. O estado do Mato Grosso tem o segundo maior rebanho de carne bovina do país.

*matéria corrigida nesta segunda-feira (7).

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