Mídia e filme destacam atualidade da escravidão contemporânea
03-04-2008

Matéria de jornal de economia da África do Sul alerta para o crime pulsante que priva a liberdade de cerca de 27 milhões de pessoas. Filme sobre exploração sexual de asiátics em Melbourne é aclamado pela crítica

Por Repórter Brasil

Vozes e episódios de diversas partes do globo colocam em evidência, mais uma vez, a importância do combate ao trabalho escravo contemporâneo e do tráfico de pessoas. O diário sul-africano Business Day publicou longa matéria em que chama atenção para a atualidade e a relevância do tema.

Estimativas conservadoras atuais contabilizam a existência de 27 milhões de pessoas em condições análogas à de escravidão, replica o jornal, citando dado publicado no livro “Pessoais Descartáveis” (Disposable People), do pesquisador Kevin Bales.

“Isso significa que existem mais pessoas escravizadas hoje do que em qualquer outro período da história”, completa a matéria. De acordo com a organização não-governamental (ONG) Free The Slaves, com sede nos EUA, três são os fatores que mais contribuem para o alastramento desse tipo de crime: o aumento populacional nos países pobres, as mudanças econômicas que condicionam a concentração de pessoas em centros urbanos e nas periferias (onde as pessoas não têm redes de segurança e segurança no trabalho) e a corrupção acompanhada da impunidade relativa às instituições públicas. “Essa nova escravidão tem duas características primárias: os escravizados hoje são baratos e descartáveis”.

ONU
A matéria destaca ainda que no dia 25 de março, a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu uma série de eventos em sua sede em Nova Iorque em celebração ao primeiro Dia Internacional em Memória às Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos.

Na ocasião, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon lamentou o fato de que milhões ao redor do mundo, incluindo crianças, ainda sofrem com os crimes de racismo, trabalho forçado, exploração sexual e tráfico de seres humanos. “Vamos demonstrar nossa honra perante as vitimas do comércio de escravos ao relembrar da luta deles. Vamos levar isso em frente até que nenhuma pessoa seja privada de sua liberdade, dignidade e direitos humanos”.

Austrália
Um polêmico filme sobre a exploração sexual de mulheres asiáticas na cidade de Melbourne vem sendo aclamado pela crítica local. A diretora Dee MacLachlan, que nasceu na África do Sul, disse que decidiu fazer o filme depois de ficar chocada com o descaso com relação aos casos de escravidão sexual na Austrália.

Dee construiu o roteiro de “The Jammed” com base na transcrição de casos reais levados à Justiça, mas o que chamou realmente à atenção da diretora foi um caso divulgado pelos jornais sobre um executivo que explorava cerca de 20 a 40 tailandesas num clube privê no súbúrbio de Melbourne.

Uma das garotas aprisionadas conseguiu fugir do lugar pulando pela janela e alcançando os galhos de uma árvore. Para evitar novas fugas, a árvore foi cortada. As autoridades locais se envolveram no caso apenas por causa da derrubada da árvore, que contrariava as regras do planejamento urbano local. “Foi como se as árvores fossem mais importantes que as mulheres. O descumprimento das leis ambientais gera problemas, mas o descumprimento dos direitos humanos não dá em nada”, relata a diretora.