Mundo precisa mudar a forma de produzir alimentos, diz ONU
17-04-2008

Para diretor do Pnuma, agricultura é a “combinação entre variáveis sociais e ambientais que determinarão em grande medida o futuro da capacidade de prover alimentos para oito ou nove bilhões de pessoas de forma sustentável”.

Por Repórter Brasil

A agricultura moderna trouxe um incremento significativo na produção de alimentos, mas os benefícios têm sido distribuídos de forma desigual e têm implicado no crescente aumento de preços, pago pelos pequenos agricultores, trabalhadores, comunidades rurais e pelo meio ambiente.

A avaliação acima não faz parte de nenhum documento assinado por movimentos sociais do campo, mas sim de uma iniciativa patrocinada por diversos órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Trata-se do Relatório Internacional sobre Ciência e Tecnologia Agrícolas para o Desenvolvimento (IAASTD, na sigla em inglês), uma espécie de IPCC da agricultura que envolve 400 especialistas que estão pesquisando o tema desde 2005.

No relatório final lançado na última terça-feira (15), o grupo é categórico: a forma como o mundo produz os alimentos precisa mudar radicalmente para atender melhor os pobres e os famintos. Diante do aumento populacional e das mudanças climáticas, determina o relatório, este é o caminho para evitar revoltas sociais e colapsos ambientais. O documento foi aprovado por 54 países reunidos em Joanesburgo, na África do Sul. Apenas o Canadá, a Austrália, o Reino Unido e os Estados Unidos se recusaram a firmar as resoluções.

“Argumentar, como nós estamos fazendo, que a continuação do foco exclusivo na produção fragilizará o capital agrícola e nos deixará com um planeta cada vez mais degradado e dividido é reiterar uma mensagem antiga. Mas essa mensagem não tem tido ressonância em algumas partes do mundo. Se aqueles que detêm o poder estiverem agora dispostos a ouvi-la, poderemos ter esperança por políticas mais equitativas que levem em consideração os interesses dos pobres”, assevera o professor Bob Watson, diretor do IAASTD.

Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma, sintetizou as conclusões do relatório na cerimônia de abertura do evento em que as conclusões foram definidas. “Agricultura não é apenas colocar coisas no chão e depois colhê-las. Trata-se da combinação entre variáveis sociais e ambientais que determinarão em grande medida o futuro da capacidade de prover oito ou nove bilhões de pessoas de forma sustentável”.

O comunicado divulgado por representantes da sociedade civil que participaram do processo assinala que o relatório do IAASTD “reflete o crescente consenso entre a comunidade científica global e a maioria dos governos que o paradigma da agicultura industrial, elertrointensiva e tóxica é coisa do passado”.