Organizações fazem campanha contra lobby de Cargill e ADM
08-04-2008

De acordo com ativistas em defesa dos direitos trabalhistas, Cargill e ADM promovem lobby para derrubar claúsula que permite a certificação voluntária de produtos importados com relação ao trabalho forçado e ao trabalho infantil

Por Repórter Brasil

Organizações norte-americanas que atuam em defesa dos direitos trabalhistas estão em campanha contra a Cargill e a ADM (Archer Daniels Midland), grandes corporações do agronegócio. As duas companhias promovem lobby para derrubar uma claúsula de um pacote de leis sobre agricultura (Farm Bill) que está em trâmite no Parlamento dos EUA. Segundo os ativistas, as empresas em questão buscam barrar a possibilidade de que empresas passem a requisitar voluntariamente certificação referente a produtos importados com relação ao possível emprego de trabalho forçado e infantil.

“Não é uma surpresa que a ADM e a Cargill estejam fazendo lobby contra salvaguardas que poderão certificar que o trabalho infantil e o trabalho forçado não estão utilizados para a produção agrícola”, coloca Leila Salazar-Lopez, diretora da Campanha da Rainforest cobre o agribusiness da Rainforest Action Network (RAN). “A despeito de terem assinado o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, essas companhias ainda precisam provar que não estão utilizando trabalho escravo em suas cadeias produtivas”, emenda. “Os esforços da ADM e da Cargill vão de encontro com os seus prórpios códigos de conduta e são uma prova de que essas companhias não têm intenção de ser transparentes acerca de suas práticas trabalhistas”.

De acordo com Bama Athreya, diretora-executiva do Fórum Internacional de Direitos Trabalhistas (International Labor Rights Forum), o Art. 3104 do pacote agrícola que a Cargill e a ADM estão combatendo ajudaria as corporações a ter certeza de que seus produtos cumprem padrões internacionais de direito do trabalho. “Nós precisamos tirar a dúvida se a Cargill e a ADM sabem que estão utilizando trabalho escravo e estão tentando evitar que qualquer coisa seja feita a respeito disso”.

O Departamento de Trabalho, por conta de uma série de medidas implementadas contra o tráfico de seres humanos, está elaborando uma lista de produtos importados que podem ter alguma relação com a exploração de trabalho forçado ou trabalho infantil. Estatísticas apresentadas pelas organizações da sociedade civil revelam que aproximadamente 70% do trabalho infantil está concentrado no setor agrícola.

O artigo defendido pelos ativistas é, segundo Adrienne Fitch-Frankel, da Global Exchange, “uma peça simples de legislação que permite apenas uma abertura – ajudar finalmente a erradicar o trabalho escravo e trabalho infantil ilegal – que significa uma mudança na economia global que acredito que todos sejam favoráveis no longo prazo”.

Veja a íntegra do Art. 3104 da Farm Bill
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