Almeida: Parte do lucro deve ser investido na sociedade
05-05-2008

Para Fernando Almeida, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), há muito que se caminhar no sentido da sustentabilidade e a velocidade de transformação precisa ser mais intensa

Por Maurício Hashizume

Na onda da contraposição “lucro x sustentabilidade”, que será o tema do primeiro de uma série de debates organizada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Repórter Brasil procurou destrinchar ainda mais o tema com o presidente da organização, Fernando Almeida,

“O que o modelo sustentável de gestão dos negócios propõe é justamente que parte do lucro obtido pelas empresas passe a ser investido no ambiente onde ele se produz, ou seja, que parte do lucro sirva para preservar os recursos naturais e potencializar os impactos sociais positivos”, coloca Fernando Almeida. “Isso gera resultados a longo prazo que devem também ser considerados, fortalece a reputação e contribui para a sobrevivência do próprio negócio (e do ambiente onde ele se dá). Evidentemente, há muito que se caminhar nesse sentido e a velocidade de transformação precisa ser mais intensa”

Para ele, as empresas estão assimilando conceitos e práticas de sustentabilidade como parte de um processo “evolutivo e assimétrico”. “O que é importante dizer é que, cedo ou tarde, todas as empresas têm de perceber que não é possível mais continuar atuando em um modelo de exploração que despreze as dimensões sociais e ambientais em sua atuação. Esse fator vem se tornando, aliás, cada vez mais uma questão de sobrevivência dos negócios”.

Idealmente, acredita o presidente da CEBDS, as empresas devem estar à frente da legislação, como indutores, através da realização de práticas modernas. “São as práticas pioneiras dessas empresas (first movers) levadas ao limite de sobrevivência de cada uma das organizações que devem guiar suas perspectivas. O conjunto de medidas e ações é infinito e não existe uma receita pronta. O importante é que ele deva sempre buscar, como sempre frisamos, incluir as dimensões sociais e ambientais em toda e qualquer estratégia de negócios”.