Sites orientam compras de empresas e consumidores
08-05-2008

Catálogo online com informações sobre produtos avaliados a partir de critérios sustentáveis e campanha com o mote “Mude o consumo para não mudar o clima” ajudam pessoas jurídicas e físicas a adotar práticas menos degradantes

Por Maurício Hashizume

Como é possível comprar produtos de escritório ou materiais de construção avaliados e selecionados por uma equipe de especialistas a partir de critérios de sustentabilidade? Já ouviu falar em “pegada de carbono”? Uma lista na internet e uma campanha lançadas recentemente ajudam a esclarecer essas questões, cada vez mais comuns entre empresas e pessoas preocupadas nestes tempos em que a sustentabilidade ganhou um status tão importante.

O Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (GVces) lançou o Catálogo Sustentável, um site que se propõe a “armazena informações sobre produtos avaliados e selecionados pela equipe de especialistas a partir de critérios de sustentabilidade”. Serviços também serão analisados.

Por meio do mecanismo de busca, são apresentadas informações técnicas, características e avaliações de produtos convencionais como impressoras e pneus nas principais etapas (matéria-prima, processo produtivo, utilização e descarte final). Os mantenedores do Catálogo Sustentável ressaltam, no entanto, que a inclusão na lista “não representa uma certificação ou selo socioambiental, nem é autorizada menção ou informação ao mesmo, como atestado de origem ou garantia das características sustentáveis”.

Já a parceria entre as organizações não-governamentais (ONGs) Vitae Civilis e Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) se desdobrou no site Clima e Consumo, que reúne informações e ferramentas voltadas a ações concretas como parte da campanha “Mude o consumo para não mudar o clima”. O visitante do site pode calcular a média de emissão de carbono sob sua responsabilidade, imprimir um cartão-postal exigindo que o supermercado que freqüenta exija que a carne à venda seja rastreada ou ainda firmar um abaixo-assinado exigindo que a política nacional de mudanças climáticas saia do papel.

“Nossa idéia inicial foi tentar sensibilizar a classe média mais abastada que consome mais e, portanto, tende a colaborar para impactos maiores”, conta Rubens Born, coordenador-executivo da Vitae Civilis. Ele explica que o foco da campanha está concentrado por enquanto na questão das mudanças climáticas, mas acrescenta que outros critérios como a exploração do trabalho escravo e infantil não devem ser desprezados neste esforço pela conscientização.