Ministro quer replicar moratória para madeira e carne bovina
19-06-2008

Governo federal assume compromissos de cadastro e licenciamento ambiental como parte da Moratória da Soja, assinada em 2006 e prorrogada até 2009. Ministro Carlos Minc quer estender experiência a outros setores produtivos

Por Repórter Brasil

O compromisso assinado em 2006 pelos principais agentes econômicos do setor da soja de não comercializar produção oriunda de áreas desflorestadas da Amazônia, conhecido como Moratória da Soja, foi prorrogado por mais um ano. O acordo se estenderá até 23 de julho de 2009. Na cerimônia de assinatura da renovação, realizada na última terça-feira (17), o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anuciou que o governo federal pretende estender a experiência para outros segmentos econômicos como o da madeira e o da carne bovina.

O ministro declarou que já houve contato com representantes de associações madeireiras e proprietários de grandes frigoríficos exportadores, que se dispuseram a assinar, no próximo mês, acordos semelhantes. “O espírito será o mesmo”, afirmou. A proposta de reprodução da fórmula revela a importância do isolamento econômico de produtores por meio de compromissos empresariais, como o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. A Repórter Brasil lançou recentemente, como parte do trabalho do Centro de Monitoramento dos Agrocombustíveis, um relatório sobre os diversos impactos da expansão da cultura de soja e mamona no país.

As empresas que fazem parte da Associação Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), participantes diretas da Moratória da Soja, representam 94% do comércio brasileiro de soja. As exportações de soja tem batido recordes seguidos. De acordo com o monitoramento por satélite realizado no âmbito da Moratória da Soja de agosto de 2006 a agosto de 2007, não foi encontrada plantação do grão em cerca de 40 mil hectares.

Nesta segunda etapa da Moratória da Soja, explicou Carlos Minc, o Executivo federal também assumiu compromissos como fazer o cadastro e licenciamento ambiental das propriedades rurais do bioma Amazônia e apoiar e promover a implementação do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), prometido para 2009. Da primeira vez, o acordo envolveu apenas agentes da sociedade civil.

Para entidades ambientalistas que fazem parte do Grupo de Trabalho da Moratória da Soja, o desafio desta segunda etapa do compromisso será maior, diante da recente aceleração do desmatamento da Amazônia. Quando a moratória começou, em 2006, o preço da saca de 60kg de soja era de cerca de US$ 10. Hoje, a mesma saca está em torno de US$ 23.

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