Nota Pública do Comitê Gestor do Pacto Nacional
18-05-2009

Comitê Gestor reitera apoio à “lista suja” do governo federal como ferramenta para a construção de uma economia mais justa e socialmente responsável. Recomenda ainda que o cadastro continue sendo utilizado pelos signatários

Comitê Gestor do Pacto Nacional

O Comitê Gestor do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo divulgou nota, nesta segunda-feira (18), sobre a informação divulgada pela imprensa que a empresa Brenco obteve mandado se segurança para que seu nome não seja incluído na “lista suja” do trabalho escravo, mantida pelo governo federal.

Confira a íntegra abaixo:

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São Paulo e Brasília, 18 de maio de 2009

NOTA PÚBLICA

Foi divulgado hoje (18/05) que a Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco) obteve mandado de segurança para que seu nome não seja incluído na “lista suja” do trabalho escravo – como ficou conhecido o cadastro de empregadores flagrados praticando esse crime – e que isso abriria um precedente para outras ações por parte de empresas e proprietários rurais.

O Comitê Gestor do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo vem a público informar que a notícia não chega a ser uma novidade, uma vez que, desde o lançamento da lista em novembro de 2003, empregadores vêm se utilizando de diferentes tipos de ações na Justiça Federal ou do Trabalho com o propósito de evitar a inclusão na “lista suja”.

Se hoje a relação conta com cerca de 200 nomes, há pelo menos outros 20 que estão excluídos por liminares, mandados de segurança, cautelares e afins. O Ministério do Trabalho e Emprego, responsável pela organização e divulgação da “lista suja”, tem atuado em conjunto com a Advocacia Geral da União para recorrer dessas decisões e incluir ou reinserir os flagrados por esse crime na lista. O Ministério do Trabalho e Emprego informou que já está recorrendo junto com a AGU do mandado concedido à Brenco. Ressalte-se que também existem muitas decisões judiciais determinando o retorno de infratores à “lista suja”, ou seja, há jurisprudência que assegura a constitucionalidade e legalidade desse instrumento de controle e publicidade.

A “lista suja” do trabalho escravo é um dos mais importantes instrumentos no combate à escravidão no Brasil. Com base nesse cadastro, a sociedade e o setor empresarial têm acesso aos nomes de quem transformou trabalhadores em objetos descartáveis de trabalho em busca de lucro fácil e pode tomar as devidas providências. Os nomes permanecem pelo menos por dois anos, período no qual são monitorados pelo governo federal. No seu último relatório global sobre trabalho forçado, lançado na semana passada, a Organização Internacional do Trabalho cita a “lista suja” brasileira como exemplo a ser seguido no combate a esse crime em todo mundo.

Bancos públicos federais e instituições privadas têm utilizado a “lista suja” para negar empréstimos e créditos. Empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, coordenado pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, pela ONG Repórter Brasil e pela Organização Internacional do Trabalho, utilizam a “lista suja” antes de fechar negócios, atuando para que os setores econômicos em que estão inseridas estejam livres da escravidão. Hoje, elas são mais de 160 entidades e associações que representam mais de 20% de nosso PIB.

De acordo com dados do grupo móvel de fiscalização, que reúne Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal, no início de 2007 foram libertados 17 trabalhadores em situação de escravidão sob responsabilidade da Brenco, comandada pelo ex-presidente da Petrobras Philippe Reichstul. Na época, em nota de esclarecimento, a Brenco “lamentou que falhas tenham ocorrido e assume suas responsabilidades”. Também enumera as modificações feitas e elogia a atuação do grupo móvel. “Inspeções como as do Ministério do Trabalho, sem dúvida, contribuem para que a Brenco possa aprimorar as práticas de valorização de sua mão-de-obra e de qualidade de produção, garantindo a inserção do etanol do Brasil nos mercados internacionais”, afirmou a nota.

O Comitê Gestor do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo reitera o apoio à “lista suja” não apenas como instrumento civilizatório das relações trabalhistas e de efetivação dos direitos fundamentais de milhares de trabalhadores rurais, mas também como importante ferramenta para a construção de uma economia mais justa e socialmente responsável. E recomenda aos signatários que continuem utilizando-a para a efetivação de seus negócios.

COMITÊ DE MONITORAMENTO DO PACTO NACIONAL
PELA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Instituto Observatório Social
ONG Repórter Brasil
Organização Internacional do Trabalho