Realidade da escravidão é desvendada nos EUA e México
11-12-2009

Agentes flagraram africana submetida à escravidão por pastor e jovem mexicana vítima de exploração sexual nos Estados Unidos. Na capital do México, mais de 100 viviam em condições desumanas em fábrica clandestina

Por Repórter Brasil

Veículos de imprensa dos Estados Unidos e do México divulgaram nesta semana três casos que mostram que a escravidão continua presente no cotidianos dos dois países e não é uma prática condenável que ficou no passado.

Em Atlanta, pólo do capitalismo norte-americano, agentes do FBI (Federal Bureau of Investigation) e da ICE (Immigration and Customs Enforcement)prenderam o pastor, Michael J. Babb, de 53 anos, e sua esposa Juna Gwendolyn Babb, de 54 anos, por manter uma mulher oriunda da Suazilândia como empregada doméstica em condições análogas à escravidão.

Investigadores do caso informaram que o casal atraiu a vítima com a promessa falsa de um trabalho de curta duração e bem remunerado na equipe que serviria os convidados no casamento de um parente da família Babb.

Quando chegou aos Estados Unidos, a mulher africana foi mantida como serviçal e baba na casa do pastor e de sua esposa, sob ameaças. Os agentes declararam ainda que o passaporte da vítima foi retido, juntamente com a passagem de volta para a Suazilândia, como forma de cobrança para que o casal garantisse o pagamento da “dívida” da viagem.

Segundo as autoridades, os acusados alegaram que a mulher apenas ajudada na limpeza da casa de amigos eajudava Michael na sua empresa de construção. Investigações revelam que a vítima trabalhava por longas jornadas todos os dias e que não recebia regularmente pelos serviços prestados. Isso quando o pagamento ocorria, pois muitas vezes ele nem era realizado.

“Muitas pessoas não se dão conta de que esse tipo de escravidão moderna ainda existe nos Estados Unidos”, declarou Kenneth Smith, agente especial da agência oficial dos EUA responsável pela imigração e pela aduana. “Os acusados nesse caso usaram as aspirações da vítima por uma vida melhor para retê-la numa situação de negação de direitos humanos básicos”.

O casal Babb terá de pagar US$ 20 mil e foi acusado pelos crimes de conspiração, trabalho forçado, servidão com documento retido (passaporte) e por abrigar estrangeiro para fins de ganho financeiro. A notícia sobre o ocorrido foi veiculada pela agência de notícias Associated Press.

Além da fronteira
Três pessoas foram denunciadas por forçar uma jovem mexicana de apenas 15 anos de idade a se prostituir em Houston, também nos EUA. De acordo com promotores, a adolescente foi trazida ilegalmente do México para os Estados Unidos e estava sob regime de escravidão sexual.

Jorge Texis-Montano, de 24 anos, e Jorge Aguila-Cuapio, de 19, estão sendo acusados por ter planejado o crime de exploração sexual por meio de tráfico de pessoas, conforme publicou o diário Houston Chronicle. Sonia Tecuapacho, de 24 anos, também está sendo acusada por manter a vítima em seu apartamento. Nenhum dos envolvidos estava nos EUA em condição legal.

Os três réus estão presos. Não foi permitido a liberação mediante pagamento de fiança. Sentenças judiciais condenaram Jorge Aguila-Capio a três anos de cadeia; Jorge Texis-Montano terá de cumprir dois anos de xadrez. Sonia foi condenada a cumprir serviços comunitários temporários.

As investigações começaram após denúncia anônima sobre o confinamento de uma jovem em um apartamento, contra a sua vontade. O denunciante contou que a adolescente era forçada a se prostituir em bares da cidade. A notícia foi divulgada pela United Press International (UPI).

No México, a polícia resgatou 107 pessoas que eram forçadas a trabalhar 16 horas por dia numa fábrica ilegal, que funcionava sob o disfarce de um centro de reabilitação para dependentes de álcool e drogas químicas.

Várias denúncias apontavam a permanência de dezenas de trabalhadores escravos em instalações na capital mexicana (Distrito Federal). Segundo o jornal El Universal, a operação resultou na detenção de 23 pessoas. De acordo com a polícia, os trabalhadores viviam em condições desumanas e insalubres. Houve também relatos de maus tratos e exploração sexual. Agumas das vítimas estavam desnutridas e apresentavam ferimentos e lesões.