Fornecedor da Guarani tem plantio de cana interditado
09-03-2012

Fiscalização flagrou trabalhadores em carretas, o que é proibido. Fazenda produz para Guarani, sob comando do grupo francês Tereos e da Petrobras

Por Marcel Gomes

Bebedouro – Um grupo de auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego interditou uma área de plantio de cana no município de Bebedouro, na região de Ribeirão Preto. A ação ocorreu em uma fazenda com cerca de 100 alqueires que pertence a uma conhecida produtora rural da região. Ela é fornecedora da unidade de Pitangueiras da companhia Guarani, hoje sob comando do grupo francês Tereos e da Petrobras.

Trabalhadores fazem plantio no suporte conhecido como “carretinha”. Foto: Marcel Gomes

A decisão foi tomada após os fiscais flagrarem a atividade sendo feita por trabalhadores sobre um suporte, conhecido como “carretinha”, puxado por um trator, o que os expunha a riscos. O caso ocorreu na última terça-feira (6). Alguns funcionários que atuavam na área interditada reclamaram da atuação dos auditores. Segundo eles, o plantio sobre “carretinhas” eleva para acima de R$ 35 as diárias, pois a produtividade da tarefa é maior. 

“No chão, não conseguimos ganhar mais do que R$ 25 por dia”, disse um trabalhador chamado João e que não quis fornecer o sobrenome. De acordo com um funcionário da companhia Guarani em Pitangueiras, cerca de 60% da cana processada ali é colhida em áreas próprias da usina, onde o plantio já é feito de forma mecanizada ou com trabalhadores no solo. Ele admitiu, porém, que a empresa tem pouco controle sobre os outros 40%.

O ministério autoriza apenas o plantio da cana de forma mecanizada ou com os trabalhadores no solo. Nas últimas safras, vários acidentes graves ocorreram com lavradores que atuavam sobre veículos, inclusive com mortes. Por causa disso, os fiscais decidiram antecipar as fiscalizações da cana em 2012, justamente para flagrar irregularidades no período o plantio.

Durante as ações fiscais, os auditores também encontraram irregularidades em usinas na cidade de Pontal, do grupo Bazan/Bela Vista, como a exposição irregular de funcionários a agrotóxicos.