Califórnia soma 1,2 mil vítimas de tráfico de pessoas
24-11-2012

Relatório da Procuradoria-Geral do Estado norte-americano aponta para 2,5 mil investigações e 1,2 prisões de envolvidos entre meados de 2010 e de 2012

Por Repórter Brasil

Entre meados de 2010 a meados de 2012, forças tarefas de combate ao tráfico de pessoas de nove regiões da Califórnia, nos Estados Unidos, identificaram 1.277 vítimas, iniciaram 2.522 investigações e prenderam um total de 1.798 envolvidos. Os dados fazem parte do relatório relativo ao tema lançado semana passada pela Procuradoria-Geral do Estado norte-americano. Segundo o mesmo documento, a Califórnia é um dos quatro Estados que recebem maior quantidade de vítimas de tráfico de pessoas.

No relatório, a procuradora-geral Kamala Harris destaca que o tráfico de seres humanos é um dos empreendimentos criminosos que mais crescem no mundo, com movimento estimado de US$ 32 bilhões por ano. “Depois do tráfico de drogas, o tráfico de pessoas é a segunda atividade criminosa mais lucrativa do mundo, uma condição que divide com o tráfico ilegal de armas. Assim como o tráfico de drogas e de armas, os Estados Unidos são um dos destinos mais frequentes de tráfico de seres humanos”, realça a procuradora-geral. “Os perpetradores do tráfico de pessoas têm se tornado cada vez mais sofisticados e organizados, o que requer uma igualmente sofisticada e organizada resposta de todos os parceiros sociais para garantir que a lei seja cumprida com vistas a romper e a desmantelar as redes criminosas”.

Gangues locais e internacionais têm crescentemente se envolvido em esquemas de tráfico de pessoas por causa do baixo risco e dos altos ganhos, conforme confirma o relatório. Trafficantes têm alcançado mais vítimas e clientes por meio de recrutamentos e de anuncios online. “A tecnologia está disponível também para melhor identificar, alcançar e servir as vítimas”, pontua o documento. “Instrumentos como mensagens desencadeadas por termos de procura, widgets [componentes de interface gráfica com o usuário] em websites e códigos de textos curtos permitem que grupos encontrem vítimas pela internet, que estas últimas sejam conectadas a serviços de assistência, e que possam encorajar o público geral a denunciar o tráfico de pessoas”.

Um dos dados mais surpreendentes do relatório californiano diz respeito à origem das vítimas identificadas entre meados de 2010 a meados de 2012: 72%, ou seja, praticamente três a cada quatro vítimas eram norte-americanas, contrariando a percepção de que a maioria vêm do estrangeiro.

Ainda segundo o documento, o tráfico para fins de trabalho escravo é subnotificado e ainda tende a ser menos investigado se comparado ao tráfico para fins de exploração sexual. Cerca de 56% das vítimas assistidas pelas forças-tarefa da Califórnia estavam vinculadas a casos de tráfico para fins de exploração sexual. No entanto, datos de fontes apontam uma proporção de que a ocorrência de tráfico para fins de trabalho escravo contemporâneo seja 3,5 vezes maior que casos referentes à exploração sexual, em nível mundial.

Para além da necessidade de reforçar as estratégias para o cumprimento da lei, o professor de Direito da Universidade de Califórnia (Davis), Kevin R. Johnson, reforçou, em comentário publicado em seu blog, a necessidade de reformar as leis de imigração para trabalhadores de baixa ou média formação, de forma significativa, coerente e compreensível. Tal medida, segundo ele, poderia ajudar a reduzir o mercado dos traficantes.

Ao longo dos dois últimos anos, cerca de 26 mil pessoas (dos mais diversos setores, como servidores públicos, asistentes sociais e procuradores) receberam treinamento na Califórnia para enfrentar o tráfico de pessoas.

Califórnia também aprovou uma lei que obriga empresas de grande porte que atuam no Estado a disponibilizar publicamente as políticas que vêm (ou não) adotando para combater trabalho escravo e tráfico de pessoas em suas cadeias produtivas. A medida é aplicada a companhias com faturamento bruto de mais de US$ 100 milhões e abrange cerca de 3 mil companhias.

Clique aqui para acessar a íntegra do relatório (em Inglês)