ONU mostra criminalização de vítimas do trabalho escravo
16-06-2014

Em vídeo produzido pela TV ONU, a nigeriana Joy Ngozi Ezeilo mostra, a partir do contexto da Itália, como vítimas de tráfico humano e trabalho escravo acabam sendo penalizadas ao invés de protegidas nos países onde são exploradas. A relatora especial da ONU (Organização das Nações Unidas) visitou o país, a convite do governo italiano, para acompanhar casos e responder como as autoridades devem combater a prática.

“Nós sabemos que tivemos a escravidão transatlântica e que isso acabou há mais de 200 anos. Agora temos novas formas de escravidão. E o tráfico humano é parte disso. O tráfico humano é a escravidão dos tempos modernos”, afirmou a especialista. Joy Ngozi Ezeilo é advogada e professora universitária, escolhida pelo Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU para examinar o tráfico global de seres humanos.

“As pessoas são escravizadas, em casa, na indústria do sexo, na indústria do turismo, em fábricas. Elas não deveriam ser criminalizadas. Deveria ser dada assistência incondicional. Porque ao se identificar que uma pessoa foi traficada, as outras regras deveriam ser aplicadas. É importante reunir esforços em investigações que irão ajudar a desmascarar os grupos criminosos que estão por trás disso”, defendeu.

Até o final de 2014, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) lançará, em Viena, na Áustria, um relatório específico sobre o tráfico humano.

Assista ao vídeo na íntegra:

Trabalho Escravo no Mundo

De acordo com dados recentes divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a migração é um importante fator de risco. Pesquisa mostrou que 44% das vítimas de trabalho escravo haviam migrado, dentro ou para além das fronteiras internacionais, antes de se envolverem em trabalho forçado. A organização ainda estima que os lucros totais obtidos pelo uso de trabalho forçado na economia privada em todo o mundo totalizam US$ 150 bilhões ao ano. A maioria dessa receita foi gerada na Ásia, sendo que dois terços do valor acumulado nesta região têm origem na exploração sexual comercial.

Leia também:
“Tráfico de pessoas na imprensa brasileira” (versão digital em PDF): material organizado pela ONG Repórter Brasil, com o apoio do Ministério da Justiça e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogras e Crime (UNODC):  http://reporterbrasil.org.br/traficodepessoas/traficodepessoas.pdf

 

Informações e imanges: TV ONU