Na China, 600 mil morrem por ano por excesso de trabalho
07-07-2014

Excesso de trabalho tem um nome para os chineses: guolaosi. Mais de 1600 trabalhadores morrem por exaustão todos os dias na China, cerca de 600 mil por ano. Foi o que aconteceu com Li Yuan, um jovem de 24 anos que sofreu um ataque cardíaco fatal em maio deste ano por conta do excesso de horas trabalhadas no seu último mês de vida. Outro caso que chamou a atenção da imprensa recentemente  foi o de Lin Jianhua, que morreu em abril, aos 48 anos, depois de uma noite intensa de trabalho. Jianhua atuava como regulador do sistema financeiro oficial há 26 anos. Após a sua morte, os empregadores, em um comunicado oficial, afirmaram que os demais chineses deveriam ser como ele.

Greves e denúncias de violações dos direitos trabalhistas são cada vez mais comuns no país. Em 2102, quatro mil trabalhadores de uma das fábricas da multinacional tailandesa Foxconn, em Zhengzhou, entraram em greve por melhorias das condições de trabalho. Eles alegaram que a quantidade de horas extras trabalhadas em um mês chegava a 180. A paralisação interrompeu a produção de produtos da Apple. A empresa admitiu a jornada excessiva, além do uso da mão de obra de crianças e adolescentes entre 14 e 16 anos. No ano passado, em menos de três semanas, três funcionários da Foxconn, cometeram suicídio. Em 2010, foram pelo menos 14 trabalhadores. A Foxconn é responsável por produtos de grandes marcas de eletrônicos como Apple, Sony e Nokia.

Pedidos de socorro

Mensagens com pedidos de socorro e denúncia de exploração de trabalhadores foram enviadas por vítimas de trabalho escravo para consumidores através de produtos de uma rede britânica. Duas mensagens estavam costuradas em etiquetas de vestidos comprados por duas jovens no País de Gales, e uma terceira foi encontrada no bolso de uma calça por uma mulher na Irlanda do Norte. As roupas foram adquiridas em uma das lojas da rede irlandesa Primark, conhecida pelos preços acessíveis de seus produtos.

Outro chinês, escravizado em um campo de trabalho forçado chamado Masanjia, escreveu um bilhete denunciando as mais de 12 horas de trabalho diário a que era submetido, sem dias de descanso em finais de semana ou feriado. Espancamentos, privação de sono e torturas psicológicas também faziam parte da sua rotina. O bilhete, escrito em 2008, foi encontrado por uma norte-americana em 2012, um ano após a compra de um brinquedo produzido por ele em condições desumanas. Em novembro de 2013, a CNN encontrou o autor do bilhete. (Assista à entrevista, em inglês, no site da CNN)

Imagem: Andrea Posada Escobar/ Creative Commons

Fontes: Exame, O Estado de SP, ISTO É e CNN.