MPF denuncia missionário e castanheiro acusados de explorar índios no Pará
14-04-2015

O Ministério Público Federal no Pará denunciou na Justiça um castanheiro e um missionário da Igreja Batista acusados de manter índios da etnia zo’é em condições semelhantes as de escravos. Segundo denúncia do Ministério Público, mais de 90 índios foram aliciados pelos homens entre 2010 e 2012. Os índios eram levados pelo missionário Luiz Carlos Ferreira para os castanhais de Manoel Ferreira de Oliveira, em Oriximiná, a 819 quilômetros de Belém.

No local, eram convencidos a coletar castanha em troca de panelas, roupas velhas, redes e outras mercadorias industrializadas. À época o caso foi acompanhado pela Funai. O coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Cuminápanema, Fábio Augusto Ribeiro, narra as condições em que os índios foram encontrados.

Sonora: ” os índios tavam lá em situação precária, acampados em barracos de lona, com goteira… alguns eram barracos de palha, mas a gente via que não havia muita comida. A gente viu que a água que eles estavam bebendo não eram nas condições adequadas. Várias pessoas, no município de oriximiná, indo pra região, pra ver aquelas pessoas, então nós ficamos com a sensação que os zo’é estavam lá quase igual a um animal no zoológico”.

Os Zo’é são considerados índios de recente contato. A população não passa de 300 pessoas. Fábio Augusto garante que não há mais indígenas sob exploração de castanheiros na região.

Sonora: “nós conseguimos fazer com que eles retornassem para a terra deles e essas pessoas foram interrogadas, pela Polícia Federal, no inquérito policial que foi aberto. E desde o final de 2011, início de 2012, a gente não tem novos registros de ida dos zo’é pra essa região das fazenda de castanha no município de Oriximiná.”

A denúncia contra o missionário e o castanheiro segue em análise pela Justiça Federal em Santarém.

Texto: EBC Radioagência Nacional

Imagem: Google Maps