Agentes cobram propinas para facilitar entrada de chineses no Galeão
04-08-2015

O jornal O Estado de São Paulo publicou nesta segunda-feira (3) que o Ministério do Trabalho e Emprego afirma ter descoberto um esquema de corrupção que envolve agentes do controle imigratório do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) e donos de pastelarias e atravessadores que trazem chineses para trabalhar em regime de escravidão na região metropolitana do Rio de Janeiro. A liberação da entrada de cada chinês custa R$ 42 mil de propina.

Um documento obtido pelo jornal com o detalhamento do esquema foi enviado ao Ministério Público Federal e para a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae). As informações teriam sido fornecidas por uma pessoa que trabalhava com empresários chineses suspeitos de trazer jovens da Província de Guangdong, no sul da China.

O valor da propina, paga em dinheiro fora da área de controle imigratório, segundo suspeitas do MTE, seria embutido nos custos da viagem posteriormente cobrados do trabalhador, que teria que prestar de dois a três anos de serviços de graça para arcar com as despesas. A prática, que caracteriza trabalho escravo, é denominada servidão por dívida.

Para que o esquema não fosse descoberto, os passaportes eram tomados dos chineses ou tinham a página com o carimbo da Polícia Federal arrancadas, de modo que ficasse mais difícil identificar a data da entrada no país e os funcionários da PF de plantão.

A PF afirmou ao jornal, em nota, que “todas as notícias de possíveis ilícitos administrativos ou penais que venham a mencionar servidores são apuradas pelos setores de controle interno” e destaca atuar na coerção à prática de trabalho escravo.

Leia a reportagem completa no site de O Estado de São Paulo

Imagem: Fotos Públicas/Marco Mari/ Blog do Planalto

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