Equipe da Record acompanha operações de fiscalização e mostra trabalho escravo
12-08-2015

O Repórter Record Investigação, da Rede Record, exibiu na última segunda-feira (10) uma reportagem sobre “escravos das cidades”. O programa mostrou jornadas extensas, falta de pagamento, cicatrizes, maus tratos, falsas promessas, humilhação, alojamentos inóspitos e mais uma série de violações trabalhistas e de direitos humanos a que construtoras submetem trabalhadores em regiões urbanas do país.

A equipe acompanhou uma equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em obras de Belo Horizonte (MG).  Em um dos locais, os trabalhadores estavam presos na obra que era cercada por grades com cadeados. Os alojamentos eram precários e sem condições mínimas de segurança e higiene. Um fogareiro improvisado em uma lata de sardinha servia como opção para esquentar comida. Não havia cozinha e as refeições eram feitas ao lado das camas. Na reportagem, o auditor do trabalho Marcelo Campos declarou que “o conjunto dessas irregularidades aqui encontradas caracterizam trabalho escravo na modalidade de trabalho degradante e isso vai exigir por parte das autoridades presentes uma serie de providências junto ao empregador”.

O programa também mostrou como as operações são conduzidas e o que leva a caracterização do trabalho escravo. Além disso, relembrou casos de mortes de trabalhadores na construção civil e conversou com a família das vítimas. A reportagem completa pode ser assistida no canal R7 PLAY, disponível apenas para assinantes. É possível assistir ao canal gratuitamente por um período experimental de 15 dias.

Marcelo Campos

O auditor do trabalho que aparece na reportagem da Record é o mesmo que foi entrevistado para a matéria “Trabalho escravo ou só emprego ruim?” publicada em 8 de junho pela Revista Exame. Ao contrário da revista que minimizou os graves problemas flagrados em operações de fiscalização, omitiu informações sobre as reais condições em que os trabalhadores foram encontrados e insinuou que há no Brasil um rigor excessivo na legislação e uma perseguição às empresas, o programa da Record explicou como funcionam as operações de fiscalização e a importância do trabalho do MTE. Reveja a carta que o INPACTO mandou para a Revista Exame na ocasião da Reportagem e leia também o comunicado que Marcelo Campos fez após a publicação desta revista no link InPACTO envia carta à Revista Exame esclarecendo informações sobre trabalho escravos.

Trabalho escravo na construção

Em 2013, a construção civil teve o maior número de trabalhadores encontrados em condições de escravos no país. Das 2.254 pessoas resgatadas em operações de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 858 (38%) trabalhavam em canteiros de obras. A pedido da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), da qual fazem parte 26 empresas de construtoras do país, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski suspendeu, por liminar a divulgação da atualização semestral do cadastro de empregadores flagrados com trabalho escravo – conhecida como “Lista Suja do Trabalho Escravo”. A associação que moveu a ação é atualmente presidida por Rubens Menin, da MRV Engenharia, empresa que em outubro de 2014 foi flagrada pela quinta vez com trabalho escravo, em uma operação de fiscalização que resultou no resgate de 118 trabalhadores em Macaé (RJ).

Informações sobre empregadores flagrados

Em março deste ano, o InPACTO solicitou a relação de empregadores flagrados com trabalho escravo entre dezembro de 2012 e dezembro de 2014. A lista foi conseguida através da Lei de Acesso à Informação e traz 404 nomes de pessoas físicas e jurídicas “autuadas em decorrência da caracterização do trabalho em condições análogas às de escravo e que tiveram decisão definitiva desfavorável aos seus interesses entre dezembro de 2012 e dezembro de 2014″.

Os dados se aproximam do que seria a conhecida “Lista Suja”, publicada semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Acesse o PDF da lista ou baixe o arquivo em Excel.

Imagem: Reprodução/Record