Oficina sobre trabalho escravo pretende sensibilizar jornalistas da Bahia
27-11-2015

Qualificar a abordagem da mídia em reportagens sobre trabalho análogo ao escravo é o foco da Oficina Temática sobre Trabalho Escravo para Jornalistas, que está com as inscrições abertas e vagas limitadas. O evento é uma iniciativa do Projeto Ação Integrada na Bahia e da Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo do Estado da Bahia – COETRAE e será realizado no dia 30 de novembro, no auditório do Ministério Público de Salvador.

No estado nordestino, a situação é encontrada principalmente em plantações de café, cana de açúcar e carvoarias. As ações de combate, tanto repressivas como preventivas, foram intensificadas em 2015, com um mapeamento de todas as regiões à procura de casos de exploração humana, numa ação conjunta de diversas entidades que compõem a COETRAE , com o apoio da Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas – OIT e dos governos municipais nas regiões onde estão atuando.

“É fundamental que a área que leva informações para sociedade tenha conhecimento do trabalho de combate que estamos realizando”, afirma Hildásio Pitanga, assessor técnico da SETRE. “Queremos, sobretudo, uma abordagem que respeite o trabalhador e sensibilize as pessoas. Minha expectativa é que a qualificação ajude a diluir as barreiras que encontramos”. Pitanga aponta como uma das dificuldades o atual cenário político e econômico do país, que diminui os empregos formais, uma das principais armas para reintegração dos vulneráveis na sociedade.

Já Admar Fontes, coordenador do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo (NETP), que palestrará na ocasião, cita “a demora na avaliação dos processos jurídicos, que muitas vezes acaba por amenizar as sanções aos culpados” como um dos entraves na realização dos trabalhos.

Apesar dos contratempos, o oficina também mostrará aos jornalistas resultados positivos da força-tarefa como a autuação de uma fazenda que pertence ao grupo União Industrial Açucareira (Unial), no município de Lajedão, a 746 km de Salvador, na qual foram encontrados 330 trabalhadores em condições degradantes de alojamento e saneamento, falta de equipamentos de proteção individual e ausência dos direitos trabalhistas, e o resgate na semana passada de 15 trabalhadores rurais na Granja Sossego, em Entre Rios, a cerca de 130 quilômetros da capital.

“A oficina vai nos ajudar bastante”, diz Fontes. “Nossa intenção é mostrar que o trabalho escravo existe sim e que a imprensa não publique só o que nós dizemos para ela, mas averigue a veracidade dos fatos, investigue e seja transparente para que a situação não seja mais maquiada”.

Para tanto, o evento contará também com a participação do jornalista especializado em direitos humanos, Marques Casara, vencedor dos Prêmios Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog, que debaterá sobre os desafios na cobertura de acontecimentos relacionados ao trabalho escravo bem como da cautela na apuração de flagrantes em resgates de vítimas. Confira abaixo como se inscrever e a programação.

O quê: Oficina temática sobre trabalho escravo para jornalistas
Quando: 30 de novembro, das 18h às 22h
Local: Auditório do Ministério Público, Avenida Sete de Setembro, nº 308, Corredor da Vitória, Salvador – BA
Informações: (71) 3115-9882
Inscrições: formulário disponível no site www.justicasocial.ba.gov.br

PROGRAMAÇÃO
18:30h – Abertura
19h – Oficina: O jornalismo e a cobertura de fatos envolvendo trabalho escravo
Marques Casara – Jornalista
20:30h – Palestra: Cenário e enfrentamento ao trabalho escravo no Estado da Bahia
Admar Fontes Júnior – Coordenador do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo (NETP) da Secretaria de Justiça Social
21h – Perguntas e debate
21h30 – Encerramento e Coffee

 

Fonte: Projeto Ação Integrada

Imagem: Cícero R. C. Omena/Flickr/Creative Commons