Após reconhecer uso de trabalho escravo, Nestlé lança plano de combate
04-12-2015

A Nestlé anunciou um plano de ação para proteger trabalhadores de abusos e violações de direitos humanos na cadeia de fornecimento de frutos do mar. A empresa foi acusada em agosto deste ano de adquirir peixe de um fornecedor Tailandês que se utiliza de mão de obra escrava.

No anúncio, o Vice-Presidente Executivo de Operações da Nestlé, Magdi Batato, reconheceu que a questão é grave e complexa e afirmou que a empresa está empenhada em liminar o trabalho forçado na sua cadeia de fornecimento de frutos do mar na Tailândia. “Nós acreditamos que o nosso plano de ação vai ajudar a melhorar a vida das pessoas afetadas por práticas inaceitáveis. Esta não será uma tarefa rápida e nem fácil, mas estamos ansiosos para fazer progressos significativos nos próximos meses”, disse.

Entenda o caso

Em agosto deste ano, um grupo de consumidores entrou com uma ação judicial na Califórnia, Estados Unidos, acusando a Nestlé de adquirir peixe da Thai Union Frozen Products que se utiliza de mão de obra escrava para exportar mais de 28 milhões de libras (13 milhões de quilos) de alimentos para animais à base de frutos do mar para as principais marcas vendidas nos Estados Unidos. A denúncia foi feita por consumidores de comida para gatos da marca Fancy Feast, que disseram que não teriam comprado o produto se soubessem que a empresa mantinha relações com trabalho escravo.

A agência de notícias Bloomberg, com sede em Nova York, publicou uma declaração do advogado dos consumidores em que ele afirmou que milhares de compradores abandonariam a marca se soubessem que centenas de pessoas são escravizadas, espancadas ou até mesmo assassinadasna produção de seus alimentos para animais de estimação. Os consumidores alegaram que a Nestlé estava apoiando – com conhecimento de causa – um esquema de tráfico de pessoas e escravidão para produzir alimentos da marca Fancy Feast.

As denúncias de trabalho escravo também foram baseadas no último relatório do Departamento de Estado dos EUA que examina o tráfico de pessoas em 188 países. Nele, a agência norte-americana citou a preocupação com o trabalho escravo na indústria de pesca da Tailândia e a falta de registros de ações do governo tailandês na luta contra a exploração de trabalhadores.

Ainda segundo a Bloomberg, os consumidores afirmaram que “o fornecedor tailandês da Nestlé recebem o peixe das traineiras, cujas tripulações são muitas vezes homens e meninos que foram traficados a partir de Myanmar e Camboja, vendidos como escravos por corretores e contrabandistas para capitães de pesca nos portos tailandeses e frequentemente revendidos no mar”.

Em resposta à acusação, a Nestlé divulgou na ocasião um comunicado à imprensa no qual declarou que o trabalho escravo não tem espaço em sua cadeia de abastecimento. A empresa informou que contratou a ONG Verite para identificar onde e por que abusos de direitos humanos e trabalhistas estavam ocorrendo e se comprometeu em publicar as principais conclusões do estudo e apresentar um plano claro de ação até o fim deste ano.

*Com informações da agência Bloomberg.