Extração da carnaúba lidera casos de trabalho escravo no Ceará
28-06-2016

Das 70 pessoas resgatadas de condições degradantes em 2015 no Ceará, 67% faziam parte da cadeia produtiva da carnaúba. Considerando os diversos setores fiscalizados, o estado ocupou no ano passo o quarto lugar no ranking nacional de casos de trabalho escravo, ficando atrás somente de Minas Gerais (148 casos), Maranhão (107 casos) e Rio de Janeiro (73 casos), de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social. Estes dados foram apresentados no Seminário sobre Combate ao Trabalho Escravo, realizado no dia 10 de junho, na Assembleia Legislativa do Ceará.

Na ocasião, o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Casa (CDHC), deputado Zé Ailton Brasil (PP), ressaltou a importância do debate, por levar o tema ao conhecimento da sociedade e, assim, “fazer com que, a cada dia, diminua essa prática no Ceará”. Ele também informou que a Comissão tem recebido denúncias de trabalhos degradantes em navios de cruzeiro.

Sérgio Carvalho, auditor fiscal da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Ceará, revelou a distribuição do trabalho escravo nos diversos setores no estado: 67% cadeia produtiva da carnaúba; 17% na construção civil; 6% na produção de coco bahia; 4% do corte de lenha; 3% na pesca; 3% na indústria.

Carvalho informou que entre 2006 e 2015, foram 553 trabalhadores resgatados durante fiscalizações no Estado. Ele também a falta de auditores e estrutura de trabalho para atender as denúncias.

Silvana Abramo, desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª região, lembrou que o Brasil está na 51º posição em número de trabalho escravo em ranking com 167 países organizado pela Walk Free Foundation. Segundo ela, as atividades que empregam mão de obra escrava são a cadeia do algodão, o ramo de confecções, corte de cana, entre outros.

Ela destacou que o número de resgates não significa o número de pessoas que estão em escravidão. Lembrou ainda que o Brasil tem sido referência mundial, inclusiva com reconhecimento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no combate ao trabalho escravo.

 

*As informações são da Agência de Notícias Assembleia Legislativa do Estado do Ceará

Imagem: Paulo Rocha

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