Repórter Brasil denuncia problemas trabalhistas na JBS; empresa responde
21-07-2016

A ONG Repórter Brasil divulgou nesta quinta-feira (21) a reportagem “Da fazenda ao frigorífico: a cadeia de problemas trabalhistas na JBS” com relatos de acidente graves, jornadas excessivas e baixa remuneração em várias atividades da cadeia produtiva da empresa. A matéria traz histórias de trabalhadores de quatro etapas distintas da produção de carne: fazenda, curtume, transporte e frigorífico. As entrevistas foram feitas em três estados do país. O texto cita também o inquérito instaurado recentemente em Santa Catarina para investigar trabalho escravo, jornadas exaustivas, lesão corporal e a exposição de funcionários a graves riscos em um frigorífico em São José, na Grande Florianópolis.

Em resposta aos questionamentos da Repórter Brasil, a JBS enviou uma nota onde rebate pontualmente as denúncias e queixas dos trabalhadores e seus familiares. Leia a nota na íntegra abaixo:

Respostas da assessoria de imprensa da JBS aos questionamentos da Repórter Brasil sobre a reportagem “Da fazenda ao frigorífico: a cadeia de problemas trabalhistas na JBS”. As manifestações da empresa estão em itálico: (Texto extraído da nota publicada pela ONG Repórter Brasil em 21/07/2016)

TRANSPORTE

– O trabalhador Romero José da Costa (ex-motorista da JBS na cidade de São Luiz de Montes Belos) alega que fazia jornadas de 18 a 20 horas por dia durante os 17 anos em que trabalhou nos grupos Bertin e JBS. A JBS confirma essa informação?

– Como a empresa controla o sistema de trabalho dos motoristas para evitar que eles sejam obrigados a fazer jornadas exaustivas, colocando sua via e a de outros em risco?

– O motorista relata que, hoje, sofre de estreitamento da coluna, hérnia de disco, bico de papagaio e problemas de insônia, problemas que teriam sido desenvolvidos devido o trabalho para a JBS. A empresa reconhece esses problemas?

– O motorista se envolveu em dois acidentes na estrada enquanto trabalhava, um deles enquanto quando era funcionário da Bertin e outro como funcionário da JBS. Ele alega que a empresa nunca o ajudou com advogado ou qualquer outro custo. A empresa o auxiliou nesses acidentes? Se sim, de que forma?

A JBS informa que as alegações de jornada do ex-funcionário Romero José da Costa estão em discussão judicial. A empresa reitera que cumpre a legislação, adotando rigoroso sistema de controle de jornada de trabalho, que propicia aferição das jornadas, das folgas e de todos os intervalos, evitando longas viagens, bem como risco à saúde e segurança do motorista e terceiros que transitam pelas estradas.

A empresa vem investindo fortemente para que todas as unidades, de todos os seus negócios, mantenham sempre as melhores condições para os colaboradores. O compromisso e a preocupação constante da JBS com essa questão também podem ser notados com a criação, há um ano, de um departamento de Compliance Trabalhista em sua estrutura corporativa – o primeiro da indústria de alimentos do Brasil. O departamento é formado por um grupo multidisciplinar especificamente voltado para a segurança do trabalho, que é responsável por agir preventivamente em todas as unidades de produção do grupo. O compliance trabalhista reúne representantes da área jurídica, engenheiros de segurança, engenheiros de projeto, ergonomistas e especialistas em produção para garantir a adequação das unidades às normas de segurança de trabalho vigentes no país.

FRIGORÍFICOS

– O funcionário Luís André de Oliveira (funcionário da empresa na cidade de Lins) faleceu em um acidente em 2011. Segundo relatos colhidos pela Polícia Civil, ele faleceu esmagado dentro da câmara fria por um elevador enquanto fazia reparos em uma máquina. A JBS confirma essa informação?

– A Polícia Civil concluiu que a empresa ofereceu “condição insegura” ao funcionário, que era experiente. Como a JBS explica essa falha?

– Quais medidas foram tomadas para evitar que novas mortes aconteçam nessa unidade e em outras?

– A empresa prestou algum auxílio à viúva de Oliveira, Andreza Ventura da Silva?

A JBS informa que o colaborador Luis André de Oliveira faleceu em um acidente de trabalho na unidade de Lins (SP), em outubro de 2011, e que prestou todo o auxílio à família, bem como forneceu as informações necessárias para conclusão do Inquérito Policial às autoridades competentes. Com relação ao ambiente em que ocorreu o acidente, a empresa esclarece que investe constantemente, em todas as suas unidades, em medidas de segurança do trabalho.

Também é importante ressaltar que a JBS renova a cada três ou quatro anos a sua frota de caminhões, de forma que seja mantida excelência não só na parte mecânica, mas também de ergonomia e conforto ao volante para os empregados.

FAZENDAS-FORNECEDORAS

– Como a JBS controla a condição de trabalho dos funcionários empregados pelas fazendas que fornecem gado à empresa?

– Segundo relato de funcionários de fazenda fornecedora da JBS em Três Lagoas, identificada no sistema da JBS como “Tropa dos Doze”, os trabalhadores têm que pagar pelos equipamentos de trabalho, como sela e chapéu, com seu próprio salário. A JBS reconhece esse tipo de situação em seus fornecedores?

– Os funcionários alegam que não são remunerados quando se afastam do trabalho por problemas de saúde. A JBS reconhece esse tipo de situação em seus fornecedores? Quais são os controles para evitar que infrações trabalhistas ocorram nas fazendas?

A JBS não tem o poder de órgão fiscalizador, por isso, usa de meios públicos para fazer a gestão de sua cadeia de fornecimento. A empresa não tem como política fazer a verificação em campo das condições de trabalho nas fazendas, mas constantemente orienta e divulga boas práticas, assim como tem o compromisso de auxiliar na erradicação do trabalho escravo e trabalho degradante e, por isso, realiza o bloqueio de todas as fazendas de fornecedores que são fiscalizados e flagrados com esse tipo de uso de mão de obra nas atividades.

Como membro do Instituto pela Erradicação do Trabalho Escravo (InPacto), a companhia tem usado a lista de transparência fornecida pelo instituto, na qual constam os nomes dos empregadores flagrados com esse tipo de prática. Além disso, a JBS está em negociação com o Ministério Público do Trabalho (MPT), em conjunto com Organização Internacional do Trabalho (OIT), para formalizar uma parceria no projeto Ação Integrada, no estado de Mato Grosso, que tem como objetivo reintegrar trabalhadores resgatados de trabalho escravo ao mercado formal de trabalho.

CURTUME

– Carlos Rocha Conceição, funcionário da empresa no curtume de São Luiz de Montes Belos (GO) sofre um acidente na máquina ‘descarnadeira’ do curtume onde trabalhava, onde prendeu sua mão e perdeu parte dos seus movimentos. A JBS confirma essa versão?

– O trabalhador alega que avisou ao seu superior que o sensor de movimento da máquina onde ele trabalhava estava com problema três dias antes do acidente. A empresa tem registro deste aviso?

– Que tipo de auxílio a empresa prestou ao funcionário após o acdiente?

– O funcionário alega que trabalha com a mesma mão que se acidentou na JBS, o que causa dor durante o trabalho. A JBS tem conhecimento sobre este problema? O que a empresa pretende fazer sobre o caso?

“A JBS informa que o colaborador Carlos Rocha Conceição se envolveu em um acidente de trabalho na unidade de São Luiz dos Montes Belos (GO), em outubro de 2014, e permaneceu afastado para tratamento junto ao INSS até junho de 2015, período em que também recebeu todo o auxílio da companhia com despesas extras ao plano de saúde, tais como exames, medicamentos, fisioterapia e deslocamentos. Após tratamento e reabilitação junto à Previdência Social, o funcionário retornou às atividades e, atualmente, após período de adaptação, exerce a função de espessurador na mesma unidade.

 Imagem: Reprodução/Repórter Brasil