Conheça mais sobre a Plataforma Global do Café, parceira do Mesa de Café Brasil
22-05-2018

Pedro Ronca, gerente do Programa Brasil da Plataforma Global do Café (GCP), e Eduardo Matavelli, engenheiro agrônomo e integrante da equipe do Programa Brasil da GCP, falam sobre atuação e principais iniciativas da Plataforma Global do Café. Eles também abordam a importância do projeto Mesa do Café Brasil e explicam como é possível produzir café com lucratividade respeitando a sustentabilidade ambiental e social. Confira: 

Conte um pouco sobre a Plataforma Global do Café

A Plataforma Global do Café (GCP, da sigla em inglês) é uma associação internacional com mais de 150 membros de todos os segmentos da cadeia produtiva. Ela atua hoje em 9 países produtores, como Colômbia, Honduras, Peru, Uganda, Quênia, Tanzânia, Vietnã, Indonésia e Brasil, que criam suas próprias estratégias de sustentabilidade no campo e compartilham informações e experiências. A GCP tem como visão um setor cafeeiro sustentável que ofereça boas condições de vida para produtores e trabalhadores e assegure a oferta futura de café, enquanto protege os recursos naturais.

No Brasil, a GCP conta atualmente com 53 instituições membros e dezenas de parceiros, como serviços de extensão, universidades, centros de pesquisa e entidades do setor. O programa brasileiro da GCP foi criado em 2012 e já coleciona resultados consideráveis, como os 1.750 técnicos multiplicadores capacitados no Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC), de 75 instituições (com possibilidade de atingir milhares de pequenos e médios produtores), e os 2.800 produtores capacitados no Produtor Informado, iniciativa do Cecafé, em parceria com a GCP. A coordenação do Programa Brasil e o secretariado da Plataforma no país cabem à P&A, empresa especializada em soluções estratégicas no agronegócio, sediada no interior de São Paulo.

 

Quais são as principais iniciativas desenvolvidas pela Plataforma Global do Café no Brasil?

No Programa Brasil da Plataforma Global do Café temos projetos e iniciativas que buscam colaborar com a cafeicultura diretamente no campo, através de difusão de conhecimento, alinhamento de estratégias e treinamentos. O Programa desenvolve projetos como o Currículo de Sustentabilidade do Café e seus treinamentos, que são direcionados para técnicos nas modalidades básico e avançado, o Projeto Produtor Informado (em parceria com o Cecafé) que leva conceitos de sustentabilidade e informática a produtores rurais e suas famílias e o Projeto de Assistência Técnica Coletiva (MATC). Além disso, ocorrem periodicamente reuniões da estrutura de governança do Programa que é composta do Conselho Consultivo Nacional (CCN), instância que define estratégias para o programa e direciona políticas para o setor, e o Grupo de Trabalho Brasil (GTB) que reúne instituições ligadas ao dia-a-dia do campo e propõem atividades e diretrizes práticas para o programa.

 O Programa também dispõe de um vasto conteúdo voltado para técnicos e produtores rurais que aborda conceitos de boas práticas agrícolas e sustentabilidade como o Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC), Guia de Implementação do CSC, Manual dos 18 Itens Fundamentais, vídeos com depoimentos de produtores rurais disponíveis em CD e em nosso Canal do YouTube e mais recentemente o Catálogo de Sustentabilidade, documento que reúne práticas de sustentabilidade promovidas por nossos membros e parceiros.

 Em 2017, após um processo participativo e colaborativo entre diversas entidades do setor, foram definidos os Indicadores de Sustentabilidade, utilizados no Aplicativo CSC (CSC App). Este aplicativo, disponível para computador e celular, tem por finalidade facilitar a coleta de dados no campo e abrir caminho para uma mensuração mais realista das práticas sustentáveis adotadas na cafeicultura brasileira. A avaliação da implementação destas práticas será foco das ações da GCP no ano de 2018.

 

É possível produzir café com lucratividade conservando o meio ambiente, o bem-estar e a saúde dos produtores e trabalhadores? 

Sim, isso é possível. Trabalhamos com a premissa de que a sustentabilidade não é um “monstro de sete cabeças” e que o grande beneficiário é o produtor e sua propriedade. Nossos treinamentos e materiais procuram auxiliar o produtor rural e também os técnicos, nesse sentido. 

Para produzir café de maneira bem-sucedida, o produtor precisa primeiramente se tornar um bom gerente, ter boa produtividade e controle de custos para ter lucro, planejando, investindo e organizando. Depois da questão econômica, é importante preocupar-se também com a conservação do meio ambiente e com as condições de saúde e segurança no campo, fundamentais para o sucesso geral da atividade no longo prazo.

 As práticas sugeridas pelo Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC) trazem diversos benefícios a curto, médio e longo prazo nos três aspectos da sustentabilidade. Entre elas cita-se a conservação do solo e água, fundamentais para a viabilidade produtiva econômica no longo prazo, um manejo geral mais equilibrado e menos impactante, segurança para o trabalhador, com capacitação para a função e uma continua profissionalização da atividade.

 

Como a Plataforma Global do Café avalia a importância do Projeto Mesa de Café Brasil?

Sensível às questões trabalhistas da produção cafeeira nacional, a GCP vê no Projeto Mesa de Café Brasil uma oportunidade para criar sinergias, desenvolver parcerias e multiplicar esforços no sentido da mobilização de produtores e empresários do setor cafeeiro, governos e outras organizações a fim de fomentar a transparência das ações de proteção social. Este tema já é presente nas discussões da GCP e está presente nos 18 Itens Fundamentais, nas práticas recomendadas do Currículo de Sustentabilidade do Café, sendo que 10 dos 35 Indicadores de sustentabilidade estão ligados a essa temática. Por meio de parcerias, podemos abordar temas relevantes e gerar impacto em áreas que requerem abordagens complexas, onde é difícil avançar individualmente, como a questão social e trabalhista.